No coração de Itaguara, uma construção que atravessa gerações volta a chamar a atenção, não pelo desgaste do tempo, mas pelo cuidado com que ele está sendo respeitado. A residência localizada na Avenida Dr. Antônio Geraldo de Oliveira, de propriedade privada, passa por um processo de restauração conduzido pelo próprio dono, com um objetivo claro, preservar sua essência original.


Diferente de reformas comuns, que muitas vezes descaracterizam imóveis antigos, o trabalho em curso evidencia um compromisso com a história. Elementos arquitetônicos marcantes, como o frontão curvo, os frisos ornamentais e a composição tradicional da fachada, estão sendo cuidadosamente recuperados. As intervenções visíveis, como áreas em recomposição e o uso de andaimes, fazem parte de um processo técnico que valoriza cada detalhe construtivo, mantendo viva a identidade da edificação.
Mais do que sua estética, o imóvel carrega um significado especial para a memória local. Conforme registros do Museu Sagarana, a casa abrigou a antiga farmácia de Ari Coutinho, figura conhecida na cidade e apontada como inspiração para o personagem Boticário Raimundo, do conto Corpo Fechado, presente na obra Sagarana, de João Guimarães Rosa. A relação vai além da literatura, o escritor frequentava o local, fortalecendo laços de amizade e consolidando ali um ponto de encontro que hoje ganha novo valor histórico.
A restauração, portanto, não é apenas uma iniciativa individual, mas um gesto que contribui diretamente para a preservação da memória coletiva. Em meio a um cenário urbano que frequentemente perde suas referências originais, ações como essa mostram que é possível evoluir sem apagar o passado.
Ao recuperar essa residência, o proprietário não apenas revitaliza um imóvel, mas devolve à cidade um pedaço de sua própria história, uma joia que merece ser vista, compreendida e valorizada por toda Itaguara.




