Por volta do meio-dia, os escravos atacaram o filho do deputado, derrubando de se seu cavalo e logo em seguida, matando-o a pauladas e foiçadas, ainda tentaram atacar a fazenda, mas ao chegarem nas proximidades, constatarem que estava guarnecida por dois cavaleiros.
Partiram então, para a Fazenda Bela Cruz, de propriedade do irmão do Deputado José Francisco Junqueira. Antes de atacarem a sede, encontram outros escravos que estavam trabalhando na roça, a partir desse momento, o grupo de escravos tornou-se bastante numeroso, cerca de 60 (sessenta) negros escravos.
O ataque a Fazenda Bela Cruz foi fulminante. Os escravos mataram todas as pessoas que ali residiam, José Francisco Junqueira, sua esposa, nora, crianças e outros parentes que residiam no local.
Nos autos constam que nem o genro de José Francisco Junqueira escapou. No início da noite, ao tentar socorrer seus parentes, foi morto a pauladas.
Um outro grupo, chefiado pelo escravo Ventura Mina, acompanhado de dezenas de escravos, incluindo mulheres e crianças seguiu para a Fazenda Jardim e tentaram atacar a Fazenda Jardim, todavia, João Cândido da Costa já havia sido informado do levante.
Armou dois escravos de sua confiança e prendeu os demais na senzala, e ficou à espreita, aguardando a chegada de Ventura Mina e do seu grupo. Em confronto, 5 escravos foram mortos, inclusive o líder Ventura Mina, os sobreviventes fugiram para a mata e capturados dias depois.
O número total de mortos no levante foi expressivo, 5 escravizados e 9 brancos.
Os escravos rebeldes de Carrancas foram duramentepunidos, sendo que 16 deles foram condenados à pena de morte por enforcamento e executados em praça pública (12 sofreram a pena capital em dezembro de 1833 e os quatro últimos em abril de 1834), com o cortejo da Irmandade da Misericórdia, na vila de São João del Rei. Alguns escravos foram condenados como cabeças de insurreição, de acordo com o artigo 113 do Código Criminal de 1830, que estabelecia a pena capital para crimes dessa natureza. Outros foram condenados pelo crime de homicídio qualificado, artigo 192 do mesmo código. O escravo Antônio Rezende também foi condenado à pena máxima, que foi comutada em galés perpétua, depois de exercer a função de carrasco dos 16 companheiros de insurreição.

Líder da Revolta. Escravo Ventura Mina.
Trata-se da maior condenação coletiva à pena de morte e efetivamente aplicada a escravos na história do Brasil Império.

Fazenda Bela Cruz. Cruzília-MG
Os acontecimentos de Carrancas também tiveram muita repercussão no Império e no governo da Regência. Dentre os quatro projetos enviados à Câmara dos Deputados, no dia 10 de junho de 1833, um se referia ao julgamento dos crimes praticados por escravos, encaminhado pelo Ministro da Justiça Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho. Os estudos historiográficos mais recentes têm trazido claras evidências de que o projeto de 1833 tem ligação direta com os acontecimentos de Carrancas e que foi amplamente discutido na Câmara e no Senado e antecipou em muitos pontos o texto da “lei nefanda”, como ficou conhecida pelos seus críticos décadas mais tarde, a Lei n. 4, de 10 de junho de 1835, que estabeleceu a pena de morte para escravos envolvidos no assassinato de seus senhores, familiares e prepostos.
Fonte:
A Revolta Escrava de Carrancas. UFF.


