As obras atribuídas ao artista Joaquim José da Natividade, conhecidas como “Duas Telas de Doutores”, foram furtadas na segunda metade da década de 1970 e devolvidas na quinta-feira (16/07), durante uma cerimônia promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que atuou nas investigações e recuperação dos bens.
Joaquim José da Natividade é conhecido por adornarigrejas do Sul de Minas e da região do Campo das Vertentes, o pintor é responsável por importantes obras do período colonial e tem seu estilo marcado pelo uso da técnica ilusionista, cores vivas e riqueza de detalhes.
Após estudo técnico, especialistas da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC) do MPMG concluíram que as obras apresentavam características compatíveis com parte do forro da Capela-Mor do Santuário de Santa Rita de Cássia.
Com a recomendação emitida pelo Ministério Público, a detentora das peças sacras decidiu aderir à Campanha Boa Fé e devolveu de forma voluntária os bens pertencentes à comunidade de Ritápolis.

O pároco do santuário de Ritápolis, padre Geraldo Sérgio França, afirmou que a comunidade conviveu durante décadas com a lembrança das perdas do patrimônio histórico da igreja e ressaltou que foi a primeira vez que peças furtadas retornaram ao templo.
“Somos marcados por muitas perdas de peças históricas, peças que marcaram a infância de tantos paroquianos e que desapareceram. A lembrança mais comum aqui é daquilo que se foi. Hoje nós celebramos aquilo que volta, pela primeira vez. Aliás, depois da nossa padroeira Santa Rita, que foi e voltou. Agora, tivemos essa alegria de ter de volta imagens que marcaram a infância de tantos paroquianos e que já estão com seus cabelos brancos. No entanto, foi bonito ver a lágrima nos olhos de tantas pessoas idosas que viram o retorno desses quadros, essas duas imagens desses santos-padres da Igreja, que são Santo Agostinho e São Jerônimo.”
A recuperação dos bens culturais reforça a importância da campanha Boa Fé promovida pela Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC)com o lema “Ao patrimônio o que é do patrimônio”.


