Um grupo de protetores independentes e cidadãos de Passa Tempo se manifestou recentemente sobre a situação dos animais em situação de rua no município, levantando preocupações relacionadas tanto ao bem-estar animal quanto à saúde pública.
Entre os pontos destacados está a defesa da alimentação e hidratação de animais abandonados. Segundo os manifestantes, impedir esse tipo de ação pode configurar infração, com base nas Leis nº 22.231/2016 e nº 7.772/1980, que tratam de maus-tratos. Eles também apontam que, em determinadas situações, pode haver enquadramento por constrangimento ilegal.
Para os protetores, a atuação voluntária da população tem buscado suprir lacunas na assistência aos animais, especialmente diante do aumento de casos de abandono. O grupo defende que o foco das ações deve estar na responsabilização de quem abandona, e não em quem presta auxílio.
Outro ponto levantado durante a manifestação diz respeito à saúde pública. Os participantes afirmam que houve registros confirmados de esporotricose e leishmaniose no município — doenças classificadas como zoonoses, que podem ser transmitidas aos seres humanos. Segundo eles, ao questionarem o poder público, teriam recebido a informação de que não há um protocolo específico para lidar com essas situações.
Diante disso, os manifestantes cobram maior planejamento por parte da Secretaria Municipal de Saúde, com a criação de estratégias voltadas ao controle e prevenção dessas doenças.
Também foi mencionada a necessidade de investimentos em infraestrutura, como a construção de um espaço destinado à quarentena e recuperação de animais. De acordo com o grupo, há questionamentos sobre recursos que teriam sido destinados a esse tipo de estrutura, mas que ainda não resultaram em obras concretas.

Além disso, os protetores destacaram a redução no número de castrações realizadas no município. Para eles, a medida, atribuída a cortes de verba, pode trazer impactos a médio e longo prazo, já que a castração é considerada uma das principais ferramentas de controle populacional de animais.
Ao final, os manifestantes reforçaram que o objetivo não é o confronto, mas a busca por soluções efetivas. Entre as demandas apresentadas estão a retomada das castrações em maior escala, a criação de protocolos para zoonoses, a implantação de estrutura adequada para tratamento animal e ações mais rigorosas contra o abandono.
A manifestação chama atenção para um tema que envolve diferentes áreas da gestão pública e que segue em debate no município.



