Se o adiamento do rodeio já havia acendido o debate em Carmópolis de Minas, agora o cenário ganha um novo e explosivo capítulo: o ex-prefeito Geraldo Antônio da Silva, conhecido como Geraldo Touro, entrou em cena para rebater a narrativa da atual gestão e colocar ainda mais temperatura na discussão.
Ao lado do ex-vereador Geraldo Lucas, o ex-chefe do Executivo trouxe sua versão sobre a dívida envolvendo o Consórcio Intermunicipal de Saúde CISMARG e a Fundação Lucas Machado. Segundo ele, trata-se de um passivo antigo, com origem no fim da década de 1990, ligado à prestação de serviços da FELUMA na Santa Casa de Santo Antônio do Amparo — ou seja, um problema que atravessou décadas e diferentes administrações.
Mas o tom adotado vai além da explicação técnica. Amparado por documento do próprio consórcio, assinado pelo atual secretário executivo, Geraldo sustenta que sua gestão atuou “de forma diligente, responsável e proativa” para tentar viabilizar um acordo que permitiria quitar a dívida com desconto. O entrave, segundo ele, não teria sido Carmópolis, mas a falta de adesão de outros municípios consorciados.
E é justamente aí que o discurso ganha contornos políticos mais duros.
Sem citar diretamente, mas com endereço claro, Geraldo Touro alfineta a atual administração comandada por Celinho da Saúde ao lembrar que governar envolve “ônus e bônus”. A frase, simples na forma, carrega peso no conteúdo: uma crítica direta à condução do momento atual.
O ex-prefeito vai além. Em tom de comparação, faz questão de destacar que, durante seus mandatos entre 2017 e 2024, “a cultura nunca ficou sem festa” — uma referência evidente ao adiamento do rodeio, decisão que hoje domina o debate público na cidade.
A fala acerta em cheio um ponto sensível. De um lado, a atual gestão sustenta o discurso da responsabilidade fiscal diante de dívidas inesperadas. De outro, o ex-prefeito sugere que, mesmo diante de dificuldades, é possível manter tradição, calendário e confiança popular.
O resultado é um embate que ultrapassa números e documentos. Trata-se de narrativa, de legado e, sobretudo, de percepção pública.
Nas ruas e nos bastidores, os ânimos se acirram. Há quem veja na fala do ex-prefeito uma tentativa de blindar sua gestão e dividir responsabilidades. Outros enxergam uma cobrança legítima sobre quem hoje está no comando.
No centro de tudo, permanece a pergunta que agora ganha dois lados: o problema é herança mal resolvida ou falta de pulso no presente?
Entre justificativas, documentos e provocações, Carmópolis assiste a um duelo político que está longe de terminar. E, pelo ritmo das declarações, o rodeio pode até ter sido adiado — mas o embate, esse sim, já começou e promete capítulos ainda mais intensos.
Fonte: Portal Vertentes



