Em Itaguara, algumas histórias não precisam de apresentação. Elas vivem na memória de quem conviveu, nos ensinamentos que ficaram e nas marcas deixadas ao longo do tempo. É nesse lugar — entre a lembrança e o reconhecimento — que está o nome de Maria Geralda Costa, agora escolhido para dar identidade à nova creche do município.
A decisão carrega um significado que vai além de uma homenagem formal. Para muita gente, é como se um pedaço da história da cidade passasse a fazer parte do presente de forma concreta, no dia a dia de crianças, famílias e educadores.

Maria Geralda nasceu em 1926, em Monte Carmelo, mas foi em Itaguara que construiu sua trajetória. Chegou ainda jovem e, com o passar dos anos, se tornou uma referência quando o assunto era educação. Professora de matemática, atuou em diferentes etapas do ensino, participou da gestão escolar e acompanhou de perto a formação de inúmeras gerações.
Mas sua presença não se limitava ao conteúdo das aulas. Quem passou por ela lembra de uma professora exigente, mas justa. Direta, mas atenta. Alguém que ensinava para além dos números — ensinava postura, responsabilidade e senso de verdade.
Fora da escola, Maria Geralda também era conhecida por não se omitir. Tinha opinião, se posicionava e participava ativamente das discussões que envolviam a educação. Sua atuação em movimentos da categoria, incluindo uma das longas greves de professores do estado, ficou marcada como exemplo de alguém que defendia aquilo em que acreditava.
Ao mesmo tempo, havia um lado que muitos guardam com carinho: o da presença próxima. A conversa franca, o acolhimento, a atenção com quem chegava. Não era uma figura distante. Era alguém acessível, que participava da vida da comunidade, da Igreja, das ações sociais e das iniciativas que buscavam melhorar a cidade.

Por isso, ao ter seu nome ligado a uma creche, o simbolismo se torna ainda mais forte. O espaço que agora começa a receber crianças carrega a história de uma mulher que sempre acreditou na educação como caminho e no cuidado como base.
Maria Geralda faleceu em 2017, aos 90 anos. Ainda assim, segue presente de muitas formas — nas histórias contadas, nas pessoas que ajudou a formar e, agora, também em um lugar onde novas histórias começam todos os dias.

Mais do que lembrar quem ela foi, a escolha do nome aponta para aquilo que permanece: o exemplo de alguém que viveu com coerência, que se posicionou quando foi preciso e que nunca deixou de lado o compromisso com as pessoas.
A creche Maria Geralda Costa nasce, assim, carregando mais do que um nome. Carrega uma história que continua fazendo sentido.
Fonte: Portal Vertentes.



