Cruzamento entre a Av. Dr. Antônio Geraldo de Oliveira e a Rua Expedicionário João Batista dos Reis teve sua lógica de preferência invertida entre 2017 e 2024 para beneficiar veículos pesados. A medida não se sustenta, oferece risco diário e a Coordenação de Trânsito se recusa a rever.

No coração de Itaguara, um cruzamento concentra frustração, risco e uma pergunta que a população repete há anos sem obter resposta satisfatória: por que a Coordenação de Trânsito do município insiste em manter uma decisão que não funciona, que oferece perigo e que beneficia uma minoria em detrimento de toda uma cidade?
O local em questão é o encontro entre a Avenida Dr. Antônio Geraldo de Oliveira, a principal via do centro, e a Rua Expedicionário João Batista dos Reis. Hoje, quem trafega pela avenida principal sentido centro é obrigado a parar e ceder passagem para quem sobe pela rua transversal. Uma inversão que contraria a lógica viária, o bom senso e, sobretudo, a história do próprio trânsito local.

Como era, como ficou e por quê
Antes de 2017
A preferência pertencia, corretamente, a quem trafegava pela Avenida Dr. Antônio Geraldo de Oliveira, a via principal. Quem subia pela Rua Expedicionário João Batista dos Reis cedia passagem. O fluxo era natural, previsível e seguro.
Entre 2017 e 2024
A Coordenação de Trânsito da época decidiu inverter a preferência. A justificativa apresentada: facilitar a subida de carretas e veículos pesados pela Rua Expedicionário João Batista dos Reis, que ganhou assim a preferência de passagem. Uma decisão que privilegia uma categoria específica de veículos em detrimento do fluxo geral da cidade.
Hoje
A sinalização equivocada permanece. A Coordenação de Trânsito mantém a medida de forma irredutível, ignorando as cobranças da população e os riscos evidentes que o cruzamento continua impondo a quem circula pelo centro.

Uma justificativa que não se sustenta
O argumento utilizado para justificar a inversão, o conforto operacional de carretas ao subir a via, é frágil sob qualquer análise. Veículos pesados que precisam circular pelo interior de Itaguara dispõem de alternativa viária adequada: a Via Expressa, projetada exatamente para absorver esse tipo de tráfego, desafogando o centro urbano de cargas que não precisam e não deveriam passar por ali.
A realidade documentada no próprio cruzamento reforça essa conclusão: carretas e veículos pesados são minoria absoluta no fluxo diário da via. A preferência, portanto, foi calibrada para uma exceção e não para a regra. O resultado é que o trânsito cotidiano de automóveis, motos e pedestres paga, todos os dias, o preço de uma decisão feita para atender poucos.
Organizar o trânsito de uma cidade pelo critério do conforto de carretas, ignorando o fluxo real da população, não é gestão. É privilégio.
O cruzamento que virou roleta
A inversão da preferência em um cruzamento com aclive acentuado agrava ainda mais o risco. Quem trafega pela avenida principal sentido centro, acostumado historicamente à preferência, encontra uma sinalização que contraria a lógica da própria geometria viária. O resultado é um cruzamento onde a dúvida, a hesitação e a desobediência involuntária convivem diariamente e onde um acidente grave é uma questão de tempo, não de possibilidade.
A população de Itaguara é clara em sua demanda: que a preferência retorne a quem trafega pela Avenida Dr. Antônio Geraldo de Oliveira sentido centro, restaurando a lógica original do cruzamento. Que veículos pesados sejam orientados e fiscalizados a utilizar a Via Expressa. E que a Coordenação de Trânsito abandone a postura irredutível e dialogue com quem, de fato, vive e circula pela cidade.
Uma cidade segura não se faz para carretas. Faz-se para as pessoas que nela vivem.
O que a população exige da Coordenação de Trânsito
- Reavaliação técnica e pública da preferência no cruzamento
- Restauração da lógica original: preferência para quem trafega pela Av. Dr. Antônio Geraldo de Oliveira sentido centro
- Redirecionamento de carretas e veículos pesados para a Via Expressa
- Abertura de diálogo com moradores e comerciantes afetados
- Prestação de contas sobre a decisão tomada entre 2017 e 2024
- Fim da postura irredutível diante de uma demanda legítima e urgente da população


